Cid Gomes leva tiro e aumenta escalada de tensão no país

20fev2020 - Cid Gomes, senador do PDT pelo Ceará, foi baleado durante manifestação grevista de PM, durante manifestação grevista de Policiais Militares, no Ceará
Sem paz não é póssível governar. O tiro de arma de fogo dada no senador Cid Gomes na quarta-feira, dia 19, é um péssimo sinal para os que sabem que não há caminho fora da democracia e da tolerância cívica entre os divergentes.

O irmão Ciro Gomes (ex-presidenciável) foi atingido em Sobral, no Ceará, durante protesto de policiais que reivindicam aumento salarial. O senador pilotava uma retroescavadeira e tentava furar um bloqueio feito por PMs grevistas.

Nem cabe entrar no mérito quanto à legitimidade da manifestação. A Constituição proíbe o direito de greve a policiais militares. Mas a lei, sobretudo, proíbe a tentativa de homicídio e o atentado contra a vida de qualquer brasileiro.

Considerando que o gesto do senador é uma provocação incompatível com a função de um representante de nossa mais alta corte parlamentar, claro que não ia acabar bem. Mas foram longe demais, os que se sentiram incomodados com a suposta bravata.

Segundo o Hospital do Coração de Sobral, o senador foi atingido por dois projéteis: um entrou na clavícula e saiu e outro o atingiu o pulmão esquerdo. Quem atirou, o fez para matar.

É muita violência no ambiente político, que nos últimos anos tem dado péssimos exemplos de nossa incapacidade em aceitar as regras democráticas, que servem para todos, inclusive os opostos, à direta ou à esquerda. Ou ao centro.

Independentemente de partido, ideologia ou mero ponto de vista, todos temos o dever de zelar pela civilização, pelo convívio entre cidadãos que habitam o mesmo país. Na marra, ninguém vai longe. Não precisamos esperar pelo pior. Seja aliado ou inimigo, ninguém tem de morrer. Vamos manter viva a democracia. (Marco Antonio Araujo, do R7)

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